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pedras e pétalas
 

Cadáver

Tem um jeito meio estranho de fazer

Tem a boca um pouco magra pra beijar

Uma faca amolada na braguilha

Esperando a hora pra acender.

Tem a rosa da ponta do nariz do palhaço

E um pingo de sangue que ameaça cair

O faro preciso de um animal com fome

E a gelada  máquina de um cadáver a dormir.

.

.

.

No silêncio da rosa a hora dorme

A espera de coinscidências e da cor

Numa brasa fervendo alta aurora

Numa negra penugem que a falta.

Dentre  deuses demônios a sorrir

Faz-se sertanias todo espaço

Que a notícia  cega e necessária

Cobre a voz da certeza que se deita.

.

.

.

O sorriso da morte é tão pálido

Quanto a nuvem carregada de cimento

Ruboriza a fronte de quem seja

Esquadria firmemente a negação

Da palavra mesmo dita , mesmo infame

Aspereza da fatal credulidade

Cega a fé da covarde guilhotina

Que se nega a ferir quem já dorme.

.

.

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Escrito por Josi às 14h10
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Companheiro mudo.

Tenho observado o anjo mudo em minha sala, mudo e estático, mas não cansado, ele nunca se cansa, seu brilho é que de vez em quando fica fosco, chumbado ou imaterial,sou observada diariamente quando acordo ou quando durmo, quando choro e me descontrolo e grito e quebro relógios ou enfio alfinetes no estômago, fecho a porta, ele não me vê assim, assim nem eu agüentaria me ver, assim é quando há formigas caminhando por entre as veias, elas aparecem de repente e me perfuram os rins , saem aos montes pela boca , pelos olhos e ouvidos, numa espécie de emorragia corrosiva , uma multidão delas , no vômito que destrói a beleza, a ternura. A voz vem do pássaro que gorjeia da janela, feroz e animado, ele sempre vem para saciar-se, ele sempre vê a epilepsia brutal porque tem fome, tem fome de vermes e canções bestiais, e fareja tão bem quanto um cão, não o trato como a um amigo, não o convidaria a vir ou a ir comigo até os outros, ele pertence ao silêncio., o silêncio que não alivia , a palma na face. O anjo dorme e caminho na ponta dos pés, em segredo, ao redor do manto que o cobre, na cadeira que está a descansar, ele, belo como uma cortina de água a derramar-se, belo como a formosura de um pomar a ser colhido.

 



Escrito por Josi às 21h15
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