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pedras e pétalas
 

 

Uma menina doce e pálida

é o retrato da saudade.

Uma menina no solo

arrancou o braço e engoliu,

O próprio

Temperou bem com azeite

sal e pimenta,

muita pimenta.

A fome era tanta que não percebeu

o horror que poderia estar causando ao corpo

O horror da lembrança doía

mais até do que o ombro

 

 



Escrito por Josi às 03h28
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Essa, a noite dos que vagam nos mesmos parágrafos, com os mesmos dilemas , sentidos e blasfêmias, é essa a mesma, dos que perambulam na pureza de ser santos, dos santos que traduzem as calçadas e copos, dos que ardem com o clarão do escuro onde ofuscam-se...................parangolêê olá, palavra ? que cantavas quando raiou o imenso estopim ? que fazias com essas cordas seguradas por seu pescoço? não ouviste o brado vento a esticar giletes para te salvar? ôa girândola! travessura espantada , foice esguelando a madrugada e todos , todos se faziam de esterco, enquanto no outro dia escavaram a  revolta, como uma revolta apenas....tarãntulas do ocaso, praineiras sempre a esperar novas tutelas,  fios soltos do vacilo de pensar demais, de pensar demais , de não esquecer... aí o risco , o acúmulo de palavras e de frases , dizem que se o camarada não aprender a colocar essas coisas letradas do pensamento em seus devidos lugares , corre-se o risco da cabeça inchar mais pra um lado , ou de inchar mais pra todos os lados, até explodir! reza a lenda que se explode uma a cada segundo no cosmo, a descarga necessita é de água pra funcionar e trá trá!

 

outra.

Palavra que fosse, qualquer, essas é que sempre sabem mais como satisfazer, pois são diárias trabalhadoras, fáceis de encontrar.

outra qualquer , sempre, para apagar a outra anterior e renovar a oficina da carne.

 

para aquecer a chuva de ossos que desabam nas madrugadas, a chuva prata de estrelas endiabradas e poesia estúpida, a grosseira mulher que se enfeita e se perfuma para saciar e alimentar a matança, dos sem palavras , dos que precisam emcobrir-se de palavras dos outros, esses outros que nunca ele de fato, essa a noite materna e caridosa dos fantasiados e dos vagabundos da verdade, que se estribilham  nas calçadas , esses os que nunca são observados de perto, pois a verdade é também uma grosseira noite que pode sujar as roupas dos fantasiados, e a nudez assim imaculada de sombras e palavras, obscenas palavras, também precisa de uma mãe.

 

vou cuspir na boca e pedir que engula suas próprias palavras, arrancar os cabelos do cavalo que se arrebenta.

e os olhos sorridentes e tristes , tristes pelo espaço imenso não ocupado dentro.

sorridentes por que mais uma noite estúpida que lhe tirou o dia, lhe tirou da verdade e o libertou por mais algumas horas.



Escrito por Josi às 03h23
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Cadáver

Tem um jeito meio estranho de fazer

Tem a boca um pouco magra pra beijar

Uma faca amolada na braguilha

Esperando a hora pra acender.

Tem a rosa da ponta do nariz do palhaço

E um pingo de sangue que ameaça cair

O faro preciso de um animal com fome

E a gelada  máquina de um cadáver a dormir.

.

.

.

No silêncio da rosa a hora dorme

A espera de coinscidências e da cor

Numa brasa fervendo alta aurora

Numa negra penugem que a falta.

Dentre  deuses demônios a sorrir

Faz-se sertanias todo espaço

Que a notícia  cega e necessária

Cobre a voz da certeza que se deita.

.

.

.

O sorriso da morte é tão pálido

Quanto a nuvem carregada de cimento

Ruboriza a fronte de quem seja

Esquadria firmemente a negação

Da palavra mesmo dita , mesmo infame

Aspereza da fatal credulidade

Cega a fé da covarde guilhotina

Que se nega a ferir quem já dorme.

.

.

.

.



Escrito por Josi às 14h10
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Companheiro mudo.

Tenho observado o anjo mudo em minha sala, mudo e estático, mas não cansado, ele nunca se cansa, seu brilho é que de vez em quando fica fosco, chumbado ou imaterial,sou observada diariamente quando acordo ou quando durmo, quando choro e me descontrolo e grito e quebro relógios ou enfio alfinetes no estômago, fecho a porta, ele não me vê assim, assim nem eu agüentaria me ver, assim é quando há formigas caminhando por entre as veias, elas aparecem de repente e me perfuram os rins , saem aos montes pela boca , pelos olhos e ouvidos, numa espécie de emorragia corrosiva , uma multidão delas , no vômito que destrói a beleza, a ternura. A voz vem do pássaro que gorjeia da janela, feroz e animado, ele sempre vem para saciar-se, ele sempre vê a epilepsia brutal porque tem fome, tem fome de vermes e canções bestiais, e fareja tão bem quanto um cão, não o trato como a um amigo, não o convidaria a vir ou a ir comigo até os outros, ele pertence ao silêncio., o silêncio que não alivia , a palma na face. O anjo dorme e caminho na ponta dos pés, em segredo, ao redor do manto que o cobre, na cadeira que está a descansar, ele, belo como uma cortina de água a derramar-se, belo como a formosura de um pomar a ser colhido.

 



Escrito por Josi às 21h15
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Colhi do silêncio o som necessário para ouvir, o silêncio me ouviu e eu a ele, nos escutamos plenamente , em uníssono, maravilhados e  sem palavras . O silêncio não chora nem ri, ele é contínuo,

 

Vi quando a palavra se acovardou diante dele, e quando me abraçou protetora . Quis dormir, mas no silêncio não temos olhos para fechar, não é necessário descansar, e estando dentro, estamos por fora.

 

 

 

 

 

 

 

Acabou a fome?

Não, acabou o romance.

 

 

 



Escrito por Josi às 00h22
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O veneno de um escorpião que bebi numa taça não foi suficiente, para decepção de quem ofereceu e do próprio escorpião, bebo quantas e mastigo ferrões ao acaso, como quem chupa balas ou mastiga chicletes.



Escrito por Josi às 00h18
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A coragem tem cor inventada e cheira a medo maduro. Em mim, quanto mais descubro os medos mais eles se mascaram, se vestem e só assim vejo a bela mulher de roupas masculinas e de espada em punho a girar, ele tira minhas roupas e ela me protege trazendo relâmpagos para me cobrir.



Escrito por Josi às 00h16
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A Morte

Recebo a notícia de um amigo que pecou , acovardou, se encorajou e amarrou ao pescoço o seu teto, do seu quarto , a dias, olhe bem, a dias, terça passada talvez, ontem encontrado, hoje sua notícia.

o pecado de viver atormenta alguns com mais vigor. Se chamava Pastor e morava no bairro de São Cristóvão, Arcoverde -PE. Um amigo.

Em sua memória.o silêncio. Um bom pensamento.

 

 

 



Escrito por Josi às 00h28
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Véspera do Fim

Véspera do fim , ela penteou-se como sempre fez, pousou os olhos embebidos ainda da cólera no espelho que sempre a escutou, as palavras dessa vez partia como uma espada do pensamento em direção ao alvo, vendo-se no oco da falta que a fez, se despiu, depois se vestiu de novo e novamente se despiu e nenhuma roupa a cabia, nenhuma roupa a segurava, não sentia-se bela, sentia-se espalhada, sua carne em todas as esquinas da casa, da cidade, sentia-se interrompida , navegada, insultada , sentia dor e alívio por chegar certa a questão e tratá-la, sentia-se forte também, porque em fim voaria, sempre tivera só, sempre soubera que era só, se perguntaria sempre , por onde andaria o que vai existir, o que terá feições calmas . É como acreditar e voar com borboletas amarelas na terra rachada.

 



Escrito por Josi às 05h19
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No Vale da Lua

 

 

Beijei  a face verde e bela da tarde

fui carregada como folha seca

também fui caju,

amarelo.

 

.......................................



Escrito por Josi às 18h54
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(Na plantação das noites..andando a esmo, escutando uma luz)

 

 

As rosas que colhi a pouco estão tristes , uma tristeza medonha e dolorida , nelas deposito mortes .

Corri numa estrada de espinhos até aqui nesta várzea indócil e manifestada, um abismo negro que me caminha em segredo, há luz nestas palavras de fundo de poço, há um fim começando

e quando amanhã clarear, bem sei o que fazer com os restos.

 

 



Escrito por Josi às 01h38
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..,pequeno trecho de um grande conto desfragmentado que eu não consigo colar ainda...imagens, visões ou cenas...vejam assim exatamente.

 

 

Foi quando levemente a folha quedou insegura do escuro , chegando ao chão, ser arrancada de suas entranhas não foi leve, sangrou um leite que logo ressecou e se confundiu com outras cascas já saradas, mas, embalada pelo vento que a segurou maneira, até dançou uma espécie de valsa, houve tempo para tudo até cair de fato, vinha da ponta do dedo do galho mais alto da mais alta árvore já encontrada sobre esse manto.Teve tempo de visitar parentes que se distanciavam com o crescer incessante da madeira.

Deixou-se estar perto por um tempo escutando os lamentos das folhas que, cheias de vida, ainda assim reclamavam de sua  trajetória estática, sentindo inveja talvez, dela que voava ao chão, tão morse, tão desflorida, cambaleando a visão das lembranças, que a terra, mãe gentil, severa e silenciosa acolheu.



Escrito por Josi às 01h19
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Outro capítulo que se rompe flamboiando a minha fome.

 

É uma forma de saborear também.

Quando o doce perde o amargo

E o sal prolifera as papilas.

Sabores de todos andares

Sub laterais e até profanos

Escorregam da língua em chamas.

 

Cuspi aquela raiva sabia?

E agora eu tenho é sede!

.

.



Escrito por Josi às 18h19
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Corri daquela passagem inóspita

Como um cavalo do cão

Machucando o casco no asfalto

Ruminando o avesso da benção

Colorindo o escuro.

Um cavalo negro de bela crina e músculos.

Músculos que lhe movimentam como uma oração

Sentida em punho.

Entregue a uma reta incerta

De brilho negro

Quase azul de noite que adormece

Para acordar o dia.



Escrito por Josi às 18h13
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há uma família de almas que sempre estão a falar, quero ouvir.



Escrito por Josi às 01h29
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